Tendências Perigosas no Seio do Movimento Comunista Internacional
Por Gabriel Martinez
Uma das características do hoje fragmentado Movimento Comunista Internacional é a sua total dispersão ideológica e incapacidade de interpretar corretamente as atuais tendências do desenvolvimento histórico, a crise estrutural do capitalismo e os métodos para supera-la. Dividido em diversas correntes, outrora pró-soviéticas, pró-chinesas ou pró-albanesas, o MCI, após mais de 20 anos da queda da União Soviética e dos países socialistas do Leste Europeu, ainda está em completa crise, crise esta que se reflete na formulação política de algumas organizações que pretendem dirigir tal movimento.
Com a eclosão da crise capitalista em 2008, poucos são os Partidos Comunistas que conseguiram canalizar a revolta de grandes parcelas das massas populares, de seus respectivos países, para a defesa do programa revolucionário e a luta pela ruptura com a velha ordem burguesa. Com honrosas exceções, em muitos países os comunistas ainda são forças minoritárias, que precisam fortalecer muito o seu trabalho ideológico e organizacional, rumo à construção de fortes e poderosas organizações revolucionárias armadas com a ideologia científica do proletariado, a saber, o marxismo-leninismo, superando desvios ideológicos frutos da influência do revisionismo e do oportunismo, assim como superando a falta capacidade de inserção popular.
Ainda assim, não faltam organizações que, sem demonstrarem nada de concreto no que diz respeito ao avanço da luta revolucionária em seus países, buscam dar lições às demais organizações revolucionárias e também às experiências concretas de construção socialista que sobreviveram derrocada do campo socialista e a ofensiva contrarrevolucionária. Interpretando de maneira dogmática e revisionista o marxismo-leninismo, buscam por meio de sites de internet e “declarações conjuntas” atacar o que chamam de “oportunismo” e “revisionismo” sem realmente possuírem uma visão correta do que realmente seriam tais problemas, qual a origem do seu desenvolvimento e quais são os métodos corretos de combatê-lo. Algumas organizações chegam ao cúmulo de pretenderem combater o revisionismo sem fazerem uma analise crítica sequer do XXº Congresso do Partido Comunista da União Soviética e o seguidismo que mantiveram em relações a Partidos Comunistas que estavam no poder, somente para obterem algum tipo de reconhecimento internacional.
Especialmente conhecida é a “crítica” que hoje fazem ao legado da Grande Revolução Chinesa de 1949 e ao seu líder máximo, o camarada Mao Tsé-tung, tratado por esses senhores como um defensor da “aliança com a burguesia”, aliança esta que agora é demonizada e atacada de maneira acrítica. Negando que em países oprimidos pelo imperialismo é possível atrair para o lado da revolução nacional democrática e anti-imperialista, dirigida pelo proletariado, um setor da burguesia nacional, tais organizações vociferam sobre o “oportunismo” dessas teses corretas do marxismo-leninismo. Confundem a aliança com a burguesia nacional com subordinação a tal classe social, esquecendo que o fundamental na revolução democrática e anti-imperialista é garantir a direção e hegemonia do proletariado no processo revolucionário. Também esquecem que, para os marxistas-leninistas, a burguesia nacional é uma classe que possui um duplo caráter: ao mesmo tempo que possui contradições com o imperialismo, também estaria disposta a conciliar com ele. Ao tratarem a burguesia nacional como uma classe homogênea, que não possui sua ala direita e esquerda, reduzem o leque de alianças do proletariado e tornam mais difícil a formação de uma ampla Frente Única Anti-Imperialista. Esses erros absurdos são frutos da confusão que fazem entre o que seria a grande burguesia burocrática (que nasce nos países dominados e estão atreladas ao imperialismo) e a burguesia nacional.
Do lado oposto ao da tendência acima exposta estão as organizações que, como desculpa de formarem Frentes Amplas contra o imperialismo, se subordinam às forças reacionárias e passam defender a gerência do Estado burguês de seus respectivos países como forma de efetuarem a “transição ao socialismo”. Geralmente, tal desvio faz com que os partidos que defendem essas concepções convertam-se em meros caçadores de cargos no âmbito das várias administrações supostamente “progressistas”. Espalham ilusões entre as massas, que passam a acreditar nas “melhoras sociais” efetuadas por “governos progressistas”, enquanto o imperialismo amplia sua dominação econômica e política. Defendem teses revisionistas como o “Estado de todo o povo” e a “transição pacífica” para o socialismo. Deturpam o caráter proletário do Partido em prol da construção de um “partido de todos”. Esquecem que a missão fundamental do Partido revolucionário do proletariado, quando este ainda não dirige a nação, é lutar pela conquista do poder político pela classe operária e seus aliados fundamentais, construir novas estruturas de poder popular e materializar a ditadura do proletariado.
O primeiro caso exposto representa o desvio oportunista de esquerda, que em nome da transição imediata para o socialismo adota uma postura prejudicial e sectária sobre como deve ser a relação do partido revolucionário com os seus aliados nas mais diversas etapas do desenvolvimento da revolução. Negam a existência de contradições entre o imperialismo e os países oprimidos pelo mesmo e consideram que todos os inimigos devem ser atacados ao mesmo tempo. Acreditam que muitos países que hoje ainda estão situados no campo dos países oprimidos pelo imperialismo, se converteram em “países imperialistas”. O segundo caso representa o desvio oportunista de direita, que nega o caráter proletário do partido, a necessidade de se combater frontalmente o Estado da burguesia, e predica por uma transição pacífica para o socialismo, sem violência revolucionária e rupturas radicais. Prioriza as formas de atuação institucionais e, mesmo que em alguns casos reconheçam a luta de massas, na prática a subordinam ao mais puro cretinismo parlamentar. Também negam que a revolução deve ser dirigida do começo ao fim pelo proletariado e o seu partido revolucionário.
É importante que, ao lutarmos pela união do Movimento Comunista em âmbito internacional, essas duas tendências perniciosas sejam combatidas e amplamente denunciadas, compreendendo que cada organização e Partido deve formular o seu programa revolucionário partindo de sua própria realidade e características históricas, de maneira independente, sem dogmatismo de nenhum tipo, respeitando os princípios básicos do socialismo científico. A União Reconstrução Comunista e o Movimento Bandeira Vermelha valoriza as iniciativas internacionais que apontam para a construção de uma Frente Única Anti-Imperialista e apoia os esforços da Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS), que atualmente conta com a participação e presença de organizações de massas de todos os continentes do planeta.
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