Nas últimas semanas a situação da
Ucrânia apresentou elementos novos e surpreendentes. Particularmente, a
Criméia, região que não reconheceu como legítimas as autoridades golpistas de
Kiev, toma o centro das atenções. Isso em decorrência da evolução posterior ao
golpe de fevereiro, que vai desde a saída da população local as ruas para
levantar sua resistência antifascista e patriótica, até a recente aprovação
pelo parlamento dum pedido de ingresso na Federação Russa.
Nos últimos dias, desde que as
tropas do Exército Russo ocuparam as ruas de Semferopol, os meios de
comunicação ocidentais vêm, com uma linguagem sorrateira, tentando impor a
ideia de que é a ação do Kremlin que vem criando uma situação de crise
internacional, podendo resultar até mesmo em uma guerra entre russos e
ucranianos, com uma provável participação das forças da Otan. Esses mesmos
meios que ocultaram do grande público todos os horrores cometidos pelos bandos
fascistas que capitaneavam o EuroMaydan e evitavam colocar perante ele
perguntas inquietantes – como, por exemplo, de onde veio o treinamento militar
de alguns manifestantes para resistir a Berkut? –, continuam a não fazer mais
do que ecoar o pensamento de Washington e dos centros do poder da União
Europeia.
Os EUA e a UE, responsáveis
pelo golpe de Estado que depôs o presidente Yanukovych e impôs o atual governo
fantoche e fascistas de Yatsenyuk, agora falam em sanções contra a Rússia. Obama
bradou a arma das sanções econômicas contra Putin, mas, nem Merkel, nem
Hollande, ou Cameron, topou aplicar contra um parceiro econômico tão importante
(a alta burguesia russa) sanções dessa natureza, limitando-se as simbólicas
medidas políticas.
Nessas circunstancias, é
necessário que os comunistas demarquem as suas posições e denunciem certas
falácias que se propagam pelos imperialistas do Ocidente. É preciso deixar
claro, em primeiro lugar, que, são o departamento de Estado norte-americano e a
diplomacia europeia os responsáveis por tornar problemática a situação da Ucrânia;
que a Criméia tornou-se um baluarte da resistência antifascista, sendo,
portanto, o que existe de mais democrático, atualmente, na região; que a
população da Criméia é, em sua imensa maioria, russa, e foi as ruas para lutar,
não só contra golpe, mas contra perseguições aos russos e a sua língua,
tornando a região, também, um polo da resistência patriótica; que as tropas
russas estão presentes ali em
decorrência de um acordo que estará vigente até 2042, portanto, Putin não
iniciou uma intervenção contra a área, tendo somente autorizado a saída das
tropas as ruas devido a ameaça representada pelos bandos criminosos do Svoboda
e do Setor da Direita.
Para conclui, devemos registrar
mais algumas palavras. Em primeiro lugar, o trotskismo internacional vem se
manifestando favoravelmente as forças da reação que hoje controlam o poder em
Kiev. Com uma linguagem esquerdista ele vem sustentando todos os passos da
administração Obama e da UE no referente a essa crise; primeiro, saudou a
“revolução popular ucraniana” e agora acusa a “intervenção de Putin para
reverter o processo revolucionário”. Por todo que se sabe, não é difícil
compreender o tremendo despautério que essas afirmações representam. Mas, o que
esperar daqueles que qualificam Stepan Bandera, conhecido colaborador nazi,
como um “líder rebelde”? Com essas posições, os trotskistas não vêm
contribuindo para consolidar uma alternativa independente frente aquela que nos
é ditada pelos interesses de Wall Street e sob o apoio logístico dos
estrategistas do Pentágono, eles, simplesmente, vêm desmascarando sua face horrenda
de vendidos ao imperialismo.
Repudiamos, de maneira veemente, o imperialismo
ocidental, o fascismo ucraniano e o trotskismo, seu aliado; defendemos a
resistência antifascista e patriótica da classe operária, da qual Semferopol e
Sevastopol são cidades símbolos; somos a favor da autodeterminação do povo
russo da Criméia, e fazemos votos que no próximo plebiscito seja ele a decidir
e não os ingerencistas ocidentais e seus agentes.
UNIÃO RECONSTRUÇÃO COMUNISTA
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